Medeiros/Lucas

PT

Dois marinheiros à deriva com uma geração de diferença entre si. Medeiros canta estórias com o sal do mar açoriano na voz. Lucas traz a irreverência em forma de guitarras ásperas e ambientes electrónicos. Canções que se ancoram na palavra escrita. A música tradicional na sua matriz que ganha asas e espraia-se entre os territórios do jazz, da electrónica e o do rock.

 

MEDEIROS/LUCAS é um encontro geracional possível apenas graças ao sabor das marés, que encurtaram espaços e tempos entre os açorianos Carlos Medeiros e Pedro Lucas. Nomes experimentados na tradição do cantar e do escrever música em português, com o projecto em nome próprio e com o embrionário O Experimentar Na M'Incomoda, trabalharam, ao longo de anos, diferentes aspectos das suas expressões. Entre a musicalidade da palavra ao fraseados de cada som, encontraram nesta coordenada comum novos caminhos para se fazer música portuguesa e novos contextos para a herança, acrescentando-lhe o cancioneiro culturalmente partilhado na lusofonia.

 

Desde o início de MEDEIROS/LUCAS, em 2015, a dupla editou dois discos e extravasou a sua condição para o formato de banda, tendo colaborado com nomes tão essenciais quanto Carlos Barretto, Selma Uamusse, Filho da Mãe e Tó Trips. Das viagens marítimas do primeiro disco, Mar Aberto (2015), à fisicalidade de Terra do Corpo (2016) ambos com o selo da Lovers&Lollypops, passaram-se três anos de concertos, colaborações e uma estrada que acabaria por depurar a linguagem da banda e apresentá-la, quase de forma natural, a um universo de maior simplicidade. É neste espaço conquistado que aparece este Sol de Março (2018), o longa duração com responsabilidade de encerrar a trilogia (com selo da mesma editora), construído com as palavras de João Pedro Porto, e as colaborações dos, já próximos, Augusto Macedo (baixo), Ian Carlo Mendoza (bateria) e Rui Souza (teclas).

 

O seu percurso ficou marcado por paragens em alguns dos palcos mais proeminentes do circuito alternativo português, em diversos contextos, com destaque para os festivais FMM Sines, Vodafone Mexefest, Milhões de Festa ou TREMOR e para os incontornáveis Theatro Circo de Braga, MusicBox (Lisboa), Casa da Música (Porto). Internacionalmente tocaram no Rudolstadt-Festival em 2017.

 

Em 2020 começam a lançar bases para um novo disco que será um "pós-triologia", já num universo diferente com Carlos Medeiros a conduzir a base conceptual e João Pedro Porto um dos convidados para escrever. 

 

Críticas

Mar Aberto - melhor álbum nacional de 2015 - Duarte Pinto Coelho in Radar 
Mar Aberto - 11º Lugar na lista dos melhores 30 álbuns de 2015  - in Blitz
Mar Aberto - 13º Lugar na lista dos melhores 20 álbuns de 2015 - Mário Lopes in Antena3
 

PRESS

“Terra do Corpo deixará a sua marca profunda, neste ano e nos que estão por vir, a quem o quiser ouvir. Porque nele se pressente o desejo de aventura que os açorianos Medeiros Lucas tão bem derramaram sobre Mar Aberto… E porque a música tem âncora numa ideia tradicional - a canção como expressão íntima de generosidade comunal (…) espraia-se, graciosa, sentida, pelo mundo que se descobre a sul.”

Mário Lopes in Ipsilon

 

“Ainda que Lucas toque a guitarra elétrica e junte a este trabalho sintetizadores e percussão, há em tudo uma harmonia. A voz ora anda de baloiço, ora vai num tapete voador. No fundo é poesia. Doce poesia metálica.”

Marina Almeira in DN 

 

“Há um encantamento infantil em tudo o que fazem, um deslumbramento próprio de quem pretende apresentar uma novidade por segundo Não será totalmente absurdo aproximá-los do universo de Jacques Tati.” 

João Castro in Música em DX